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sábado, 14 de junho de 2014

Posted by Danilo Passos (dono) On 11:45


Enganei-me a mim mesmo, quando por ora, ressaltava que não haveria alguém de carisma excepcional e com uma tamanha inocência agregada em olhos que seriam o meu consolo sentimental, ou por ora, meu apoio psicológico.
Quintana já dissera que a amizade é um amor que nunca morre e acertara em suas palavras. Perante uma realidade em que valores amigáveis são amplamente postos em conflito, a julgar pela ausência de companhia nos momentos mais delicados que passamos pessoalmente, ainda não consigo acreditar que encontrei-me em um laço amigável que transfigura tamanha felicidade.
Era uma doce menina dos cabelos loiros, que se assentava em seu balanço e com o corpo balançava fortemente, empurrando-o para frente, de modo com que os ventos movessem com força os seus cabelos. Eu a observava, imóvel, do outro lado do parque. De minutos em minutos ela abria um sorriso. E continuava a se balançar.
Seu sorriso era tão enfático que chegava até mim. Depois de uns quatro lábios contorcidos emocionalmente, sorri imediatamente. E fiquei feliz.
É assim que imagino uma doce mulher dos olhos castanhos claros (que se assemelhavam com tons esverdeados), alta, magra e com cabelos de tons loiros. A imagino como uma adolescente concentrada em se aventurar no seu balanço, esquecendo as mazelas do mundo e sorrindo abundantemente.
Talvez a minha imaginação seja um pouco ilusória, se me basear que esta doce donzela, não estampa enfáticos sorrisos de minutos em minutos.
Ela também chora. Também se entristece.
Prova maior de que é um ser-humano, como qualquer outro. Mas sua tristeza, em momentos delicados e familiares, não afaga o toque de suas delicadas mãos, quando vêm de encontro ao meu rosto para enxugar uma lágrima de tristeza, que em momentos oportunos escorre de mim.
O balanço da adolescente imaginária é o número de amigos da mulher jornalista que descrevo. Nesse caso, minhas ilusões fazem jus à realidade. A jornalista, também sorri quando está com amigos queridos. Se balança fortemente nos ares da amizade. E empurra para frente convicções e maneiras de ver o mundo, quando está ao meu lado.
A adolescente do balanço para de balançar. Levanta-se, olha em volta do parque, mas não vem ao meu encontro, onde continuo a fita-la, imóvel. Pela luz do sol que reflete naquela tarde imaginária, vejo que seus olhos são negros como um borrão de tinta neutra. Ela recolhe de seu bolso um papel amassado, mas que de longe leio cálculos e mais cálculos matemáticos. Ela observa os escritos e os números que saltam daquela folha, sorrindo mais uma vez.
Quando decaio em mim mesmo, passo a acreditar que não posso – em termos físicos e de personalidade – comparar a doce mulher jornalista dos olhos castanhos claros com a adolescente aspirante à matemática, dos olhos negros.
Passo a crer que a minha realidade é a melhor felicidade. Pois, todos os dias, encontro-me com a jornalista adulta e experiente. Com o seu sorriso, calmaria exuberante e com o toque de suas mãos, acompanhado de palavras de tamanho agrado. E o melhor de tudo isso, encontro-me com o meu refúgio e consolo, quando necessito de uma voz experiente para sanar alguma inquietude da minha mente.
Talvez a adolescente do balanço nunca fosse entender a mim. E seus sorrisos eram só para vislumbrar a si mesma. Enquanto isso, me vislumbro com sorrisos da doce jornalista adulta, cotidianamente.
Da minha amiga.

Danilo Passos Santos, 26 de Agosto de 2013.

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